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Pantera Negra

Fui assistir “Pantera Negra”. Gostei.  Fiquei com a sensação, por enquanto, de se tratar de um filme de negros para negros. Pode ser que no futuro seja um filme para todos, pelo menos no caso do Brasil. Para Todos,  por acaso, era o nome do cinema onde assisti meus primeiros filmes lá no Méier . As referências ao tráfico negreiro, a religiosidade, a filosofia na relação com a ancestralidade, e a história do negro africano no mundo, são referências contidas no filme que funcionam muito bem pra quem é do ramo,  ou porque é negro, ou porque está ligado à religião de matriz africana. Só vendo pra sacar o que estou falando. A idéia de que a salvação para as agruras dos negros espalhados pelo mundo virá da África, através de uma civilização detentora de avançada tecnologia, é fascinante, poética, um bálsamo para quem a vida toda viveu fantasias heroicas à partir da cultura dos colonizadores. A indústria Marvel de cinema criou este super herói negro pra se junt...

A volta do Jornal do Brasil

Como hoje em dia a gente se vê obrigado a opinar sobre tudo, não vou perder a oportunidade de dar meu palpite sobre a volta do JB. Motivo para muita euforia, esperanças e, pelos papos no facebook e WhatsApp, um sucesso de vendas, a volta do JB chega como copo d’água em intervalo de pelada. Que carência a nossa, meu Deus, nestes tempos de pensamentos e comportamentos convergentes de nossos jornais e TVs! Na minha opinião de leitor, não entendo nada de jornalismo, estou vendo a volta do JB como um alívio momentâneo da nossa sede por uma imprensa de verdade como nos velhos tempos, como é hoje a alternativa   da internet, onde o tráfico de informações é imenso e de vários matizes. Li o novo JB como lia o JB no passado. Leitura geral, sem perder tempo com textos que não me sequestravam logo no início e dessa forma cheguei a elogios e críticas. Gosto muito das coisas que vêm na contramão de algumas verdades, tipo, “jornal em papel está no fim”, “o CD acabou” e etc. Os cara...

As boas lembranças na música de Zé Carlos Santos

Essa semana tive o prazer de assistir ao show de três amigos que provocou em mim muitas emoções, das boas. Foi lá no Centro da Música Carioca, espaço pelo qual a classe artística carioca tem muita afeição e eu uma afeição particular. Foi num daqueles dias com jeitão de dia normal, um temporal pra cair a qualquer momento, mas onde tudo foi acontecendo maravilhosamente bem. Primeiro encontrei o Augusto Martins na Praça Afonso Pena para dar aquela proseada, molhar as palavras e palavrões por tudo que estamos vivendo no Rio e degustar aquele frango a passarinho, nosso número preferido pelos bares da cidade. Estamos fazendo uma pesquisa pra saber qual o melhor do Rio. A meta do encontro era ir assistir ao show do violonista e guitarrista Zé Carlos Santos    em homenagem a Noel Rosa e Martinho da Vila. O show foi lindo. Um show de música, onde Zé Carlos se dedicou a escrever todos os arranjos, nota por nota, com direito a cachos de uvas pelo caminho...

A CUMPLICIDADE DE IVAN LINS E GILSON PERANZZETTA

Se a gente der uma olhada de cima para o Brasil, tipo drone, veremos com facilidade que a felicidade está passando ao largo de muita gente. Cada um no seu canto com suas insatisfações e pequenos prazeres em relação a tudo que vivemos no nosso amado país dos novos tempos. Os muito ricos, aparentemente, devem ter menos problemas do que nós pobres mortais, mas como eles ainda são humanos, por enquanto, devem ter lá seus problemas de azia, enxaqueca, ressaca, chifres e brochadas, como qualquer mortal. “Estes tempos não estão pra ninharia”, é frase que vem lá do passado e se revigora a cada dia. Pós o êxtase   do carnaval do Tuiuti vem a ressaca de realidade com intervenção militar de brinde. Ou seja, preocupações e insatisfações para todos os gostos. Agora, se tem uma coisa que todo mundo sente igual, independente do que se tenha no buraco do pano, nos deixando todos democraticamente satisfeitos, felizes, é quando se ouve uma música daquelas que atingem a alma, a mente, o co...

O povo brasileiro no banco dos réus da segunda instância.

Ontem foi uma terça feira muito interessante deste início de 2018, o ano que vai decidir o futuro do Brasil. Pela primeira vez fui convidado a participar de um encontro de artistas e intelectuais com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, lá no tradicional Teatro Casa Grande. Achei engraçado eu nāo ter me atentado antes para o peso simbólico do nome daquela casa de espetáculos.   Afinal, da casa grande saiu toda a história da dominação da senzala, mas ao contrário da casa grande, o Teatro Casa Grande sempre foi o espaço das demandas da senzala. Contradição igual a do  restaurante chic em Sāo Paulo chamado Senzala, que pode ser visto como um espaço de   demandas da casa grande. Mas o dia ontem foi interessante porque na correria esqueci o celular em casa, pra completar, fui ao evento sozinho, e os poucos conhecidos que por lá encontrei sentaram em lugares diferentes. Entāo fiquei só, sem nenhum tipo de interferência, sem filmar, sem fotografar, sem selfs, ...

Os cães ladram e “Caravanas” passa.

Assistir a mais um lançamento de Chico Buarque, como sempre, é viver um vendaval de paixões, de emoções, reflexões, indignações e boas   lembranças. Nos primeiros acordes e canções bate logo aquela sensação mista de prazer e surpresa. Caraca! A música brasileira de consumo era assim a anos atrás!. Foi com essas harmonias, com essa poesia, com essa riqueza melódica que eu construí em mim a emoção pela música, porque a música de Chico é soma e fruto de tantas outras que vieram antes dele e que também moldaram meu gosto, meu prazer auditivo. Normal que seja assim. Mas eu ouvi o disco novo muitas vezes antes do show, e assim como no anterior, algumas faixas me soaram muito simbólicas, como se estivessem sublinhando a história do Brasil contemporâneo. Chico está presente em todas as fases da história politica do Brasil desde o inicio de sua carreira. Coerência. “Paratodos”, “Sinhá” e agora “Caravanas”. Chico toca mais uma vez no ponto que eu acho central, chave, de nossa qu...