22/10/2017



Foto: Caterine Vilardo

Foi um evento patrocinado pela Boa da Antártica que reuniu o “mundo do samba” ontem no Parque de Madureira para realizar a maior roda de samba do mundo e entrar para o Guiness Book. Objetivo alcançado.
O craque em espetáculos de samba, Túlio Feliciano, me convocou e ao meu amigo Didu Nogueira para sermos os mestres de cerimônia da festa. Que honra.
Quando cheguei no local e vi como seria o lance, me lembrei na hora do meu tempo de garoto no Cachambi, quando eu ia pro terreno na casa do Betinho assistir o lançamento dos hoje politicamente incorretos balões no São João. Aquele monte de gente envolvida e aquele gigante que parecia impossível de se ver lá no céu.
Do alto do palco do Parque de Madureira a cena me lembrou também o dia em que na juventude fui tocar no Terreiro do Seu 7 da Lira. Aquele mar de gente, aquele monte de mesas e garrafas de cerveja.
Até aí não poderia imaginar o que vinha pela frente e que mesmo incumbido de uma função profissional seria pego por vários momentos de emoção.
Para além da conquista do Guiness, o evento proporcionou um encontro de sambistas super necessário no momento em que estamos vivendo  um sério retrocesso em relação a  presença da cultura de origem africana no Rio de Janeiro.
Era latente a fraternidade a cada abraço, a cada beijo, “o prazer do reencontro”, como canta Wilson Moreira em “Banho de Felicidade”.
Não vou citar um por um dos que lá estavam  porque foram muitos cantando, tocando, cozinhando, técnicos, produtores e o povão de Madureira e Oswaldo Cruz chegando junto lindamente.
As lembranças de nomes como Wilson Das Neves, Luiz Carlos da Vila e Luiz Grande, entre outros, foi igualmente inevitável, e a cada samba uma emoção diferente era provocada em nós. Os olhares e cochichos ao pé do ouvido entre eu e Didu Nogueira foram muitos.
O Samba mais uma vez provou que não é para ser explicado,  é para ser vivido, porque é muito maior do que um gênero musical. Provou mais uma vez que não importa o tamanho do evento e as dificuldades para realização, no final sempre dá certo.
Que o título de maior roda de samba do mundo para o evento de ontem ajude a todos os sambistas a ultrapassar o atual momento difícil em que vivemos. A perseguição do passado volta a revelar suas raízes ocultas, querendo retirar do samba os salões conquistados e as calçadas da fama da cidade que ajudou a construir culturalmente. A perseguição volta tentando apagar o prestígio mundial do samba e volta com a maldade de querer substituir monumento tombado por tombada do monumento.
Um parabéns  particular para Túlio Feliciano. Um parabéns geral para todos os amigos e a plateia que viveram esse glorioso 21 de outubro de 2017 no Parque Madureira.

Luta e alegria de viver são sentimentos atávicos ao samba e isso me parece que será eterno. Quando não for mais assim, será porque estaremos num mundo melhor e o samba não precisará mais ser trincheira nem porta voz dos sentimentos de liberdade.