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Parabéns Sérgio Cabral

Hoje é aniversário do Sérgio Cabral. Por infelizes motivos tenho que usar aquela nota de esclarecimento, o pai. Mas o fato é que o pai foi amigo do meu pai e do meu avô que incentivaram o Sérgio no início da carreira de jornalista, em 1957 no Diário da Noite.  Quando me tornei músico profissional meu contato com ele se amiudou em vários encontros, festas, shows, programas de TV e etc. Sérgio Cabral é um nome importantíssimo para a cultura do Rio de Janeiro, para a música, para o jornalismo e principalmente para o samba. Escritor, pesquisador, compositor, biógrafo, produtor de discos e shows, tudo ligado ao que há de melhor daquilo que chamamos de alma carioca. Um carioca suburbano, de Cavalcanti, que fez inclusive papel de garçom, à vera, num show de João Nogueira, servindo para os músicos cerveja e os deliciosos salgadinhos produzidos pela esposa do Cuscus, percussionista do grupo do Joāo. Tive o prazer de participar deste show no antigo Teatro da Galeria no Flamengo. Sérgio foi g...

Da boêmia ao fundo do poço.

Aí fomos os quatro a Vila Isabel tomar umas e fazer uma visita solidaria   à esquartejada estátua de Noel Rosa no início do Boulevard 28 de setembro. Não havia sobrado nada a não ser as pilastras que a cercavam. Se já estávamos indignados com o que vem acontecendo com a Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro como um todo, o vazio da praça serviu para constatar aquilo que a gente vem evitando admitir. Estamos chegando no fundo do poço. É óbvio que temporais, enchentes, desabamentos e violência contra tudo e todos, vinda de vários setores, são assuntos de primeira ordem, mas nossa memória cultural e símbolos afetivos também fazem parte de nossas vidas. Nós boêmios e artistas cariocas, frequentadores do bairro de Vila Isabel há décadas, não conseguimos ver o vazio da praça e nāo ter algum tipo de reação. Nos sentimos atingidos no espaço físico e na memória cultural e musical do bairro que ajudou a formatar nossa arte. Zumbi do...

Renascer é preciso

  E o Brasil se reinventa após a autoproclamação de Zé de Abreu como Presidente da República. Alegoria típica de carnaval onde o Rei Momo baixou nos brasileiros e realizaram no início da festa, em todo o Brasil, aquilo que todos nós esperávamos que acontecesse, mas não acontecia. O povo foi pra rua protestar contra Bolsonaro.  Durante o carnaval duas perdas dolorosas e emblemáticas serviram também para nos lembrar de nossa inexorável finitude. Partiu Arthur, neto de Lula, partiu Alfredinho Bip- Bip , pai de todos. A prematura partida de Arthur possibilitou ao avô respirar um pouco de ar puro acompanhado por gritos, aplausos, solidariedade e emoção em doses cavalares. A surpreendente partida de Alfredinho acontece no maior evento ao ar livre do planeta, festa para a qual sempre contribuiu. Alfredinho sempre esteve ao lado tudo de bom que acontecia nessa cidade. Era um admirável militante de esquerda, era um ser humano incrível, doce, alegre, escondid...

A CHAMA NĀO SE APAGOU 2

Minha alma chora vendo o Rio de Janeiro. Minha alma suburbana canta um choro triste com o incêndio do Museu Nacional. Durante longas horas a chama nāo se apagou e eu acordado assistindo minha curiosidade de infância sendo queimada numa imensa fogueira porque, de imediato, faltou água para apagar o incêndio. Para o que já estava queimando, essa água nem seria boa para as peças que lá estavam, mas evitaria o deslocamento do fogo para o resto do prédio. Minha alma suburbana chora lembrando dos passeios no Campo de Santana, dos piqueniques na Quinta da Boa Vista, das idas ao Jardim Zoológico e das visitas ao Museu Nacional.  O choque de realidade que vivemos neste 2 de setembro de 2018 foi muito duro. Ficamos sabendo, por exemplo, que há acordos entre os museus e o Corpo Bombeiros, pois o que manda a lei sobre normas de segurança nāo pode ser cumprido porque existem as questões de tombamento que impedem que sejam realizadas determinadas obras em prédios históricos.  Caram...

Teresa Cristina e Carlinhos 7 cordas, um privilégio

Ontem fui assistir “Batuque é um privilegio”, novo show de Teresa Cristina e Carlinhos 7 Cordas no Teatro Net, dedicado a obra de Noel Rosa. Antes de entrar no assunto, quero avisar aos apaixonados por novos sabores que na lanchonete em frente ao tearo tem um sanduíche de carne assada dos Deuses, feito pela portuguesa dona do lugar e que de quebra apresenta uma vitrine de doces portugueses capaz de tirar qualquer um do regim e. Bom, dando inicio a minha inevitável rasgaçāo de seda, afinal sāo dois grandes amigos meus, o show é sensacional. Teresa Cristina plena no palco, muito bem dirigida por Caetano Veloso. Sente-se nitidamente um salto qualitativo na sua performance, um estar a vontade, sabendo exatamente o porque de estar ali e, além de estar cantando muito bem, se coloca como uma brasileira atenta as nossas demandas sociais e politicas, chamando a atenção da plateia a todo momento que a musica de Noel, atemporal, nos remete a momentos atuais de nossa vida bras...

Fabiana Cozza e afins

--> --> E lá vamos nós mais uma vez nos entregarmos ao exercício de pular por cima das cascas de bananas jogadas no nosso caminho. Dessa vez a questão em torno da escolha de nossa querida Fabiana Cozza para viver Dona Ivone Lara num musical. Esse assunto é muito complexo e nāo dá pra avaliar a situação, mesmo que em parte, em poucas linhas. Entāo quem se interessar sobre minha opinião sobre isso, prepare-se, o texto é longo e talvez desagrade muita gente. Em primeiro lugar é preciso que as pessoas entendam que estamos longe do auge de um debate em torno do negro brasileiro. A coisa só está começando, mas já de uma forma suficiente para causar o maior mau estar em vários setores. Mau estar que se reflete no desconforto de muitos que viveram por gerações fazendo, dizendo, propondo , mandando, decidindo, proibindo, negando, promovendo e etc., tudo em relaçāo ao negro, sua cultura e sua historia, sem a participação do negro.  Hoje, depois de um lon...