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Postagens

Reflexões sobre Pequim

Acompanhando o final das olimpíadas onde o Brasil, mais uma vez, conquistou pouquíssimas e valiosas medalhas, foram inevitáveis aquelas reflexões que fazemos de olimpíada em olimpíada. Diz a lenda que a Baby Consuelo excursionando pelo nordeste se viu num sufoco com a sua banda quando o ônibus enguiçou no meio da estrada. Nessa época a cantora estava em pleno exercício da filosofia do “RA!” e não pensou duas vezes em usar essa energia para fazer o motor do ônibus pegar. Então foi aquela cena com ela mandando ver: - Vamos lá gente, todos juntos, concentrados e com fé. Um, dois, três e RAAA! Mais uma vez. Um, dois, três e RAAA! Depois de várias tentativas sem nada acontecer, ouviu-se a voz do motorista lá na frente. - Minha gente, se não empurraaaaaaaaaaa, num vamo sair daqui não. Me lembro de uma piada das antigas que conta a história de um campeonato de sexo no Estádio do Maracanã. Os caras vinham e traçavam no gramado aquela quantidade absurda de mulheres até que um, mais espada qu...

Imagens lusófonas

Mais uma vez Martinho da Vila me proporciona momentos de prazer em terras lusitanas. Dessa vez ele me levou para jantar na casa do pintor Roberto Chichorro. Eu já o conhecia formalmente de outros camarins em shows no Coliseu de Lisboa, mas sem conhecer o seu papo e a suas tintas. Nosso encontro em sua casa foi uma deliciosa surpresa visual, auditiva e palatável, graças também à comida moçambicana por ele preparada para nós. Um lance meio vatapá, com direito a pimenta da boa e um vinho tinto português supremo. . Na chegada, o visual do pôr do Sol às oito da noite visto de sua janela em Cascais já entregava a intimidade de Chichorro com as cores da vida. Só que no caminho da entrada até o pôr do Sol, parecia que estávamos percorrendo numa exposição de arte. Pinturas dele e de amigos nas paredes. Peças em cerâmica que ele diz só fazer por hobby , tudo com aquela força e beleza de arte africana com cara de modernidade, “sem aquela onda naïf ”, como me disse uma vez o Lenine se referind...

CAMINHANDO E PENSANDO

Uma das coisas que me dá prazer quando estou por aqui no verão de Lisboa é caminhar pelas ruas do centro sem ter lugar definido para chegar. Numas dessas entradas e saídas pelas ruas estreitas na região do Chiado, entrei no Cyber. Bica. Segundo meu amigo de sangue português Luiz Filipe Lima, este foi o primeiro cybercafé da Europa. Pra quem não sabe, cafezinho no português de Portugal é “bica”, que pode ser curta, cheia ou normal. Dei uma navegada, tomei uma bica cheia e segui meu caminho indo chegar no Largo do Carmo onde descobri o Museu de Arqueologia criado nas ruínas do convento do Carmo. A igreja do convento é de 1389. No terremoto que sacudiu Lisboa em 1755 uma parte do convento desabou e um incêndio a seguir a prejudicou mais ainda. Desistiram de reconstruí-la e ali fundaram o museu. Essas datas sempre me perturbam. Em 1389 o Brasil nem sonhava em ser “descoberto” e os caras já estavam falando português no planeta há tempos. E construindo igrejas, castelos, navios e inventando ...

É assim que tem que ser

Minha amiga Patrícia da Hora foi curta e fina. “E o blog? Não vai mais escrever?” Essa cobrança, que pra mim chega como um elogio, chega também como um traço de sublinhar neste meu momento de mais uma excursão a Portugal. Além do trabalho que vim desempenhar, cheguei com o objetivo de colocar em dia meus escritos visando o livro de crônicas que desejo publicar que tem como eixo central as várias viagens que realizei pelo mundo com a minha viola em baixo do braço. Vir anualmente a Portugal é acompanhar de longe algumas sutis mudanças, mas é também possibilidade de encontros extraordinários. Um desses foi semana na passada quando fomos assistir ao extraordinário show da Maria Rita no Coliseu de Lisboa. Matar as saudades do Camilo Mariano (bateria) e do Jota Moraes (pianista e arranjador) foi muito bom. Melhor ainda foi almoçar lá no seu Guilherme com Miudinho, Nene Brownn (percussões) e o Camilo. Marcelinho Moreira sugeriu o Muralha, um vinho branco do bom, que serviu para acompanhar a...

CARACA!

As crianças de hoje em dia estão cada vez mais chegando com as respostas para problemas que tentamos resolver há muito tempo. Elas, de alguma forma, parece que ficaram de camarote assistindo a gente se ferrar por aqui pra elas nascerem com as soluções para as nossas questões: ''É assim que se faz pai!". É muito comum hoje a gente ver as crianças falando em tom de bronca com os mais velhos. Foi o que aconteceu outro dia com a filha do meu amigo Hugo. Ela é um belo exemplar - não só por ser uma gracinha - de como isso que estou falando é verdade. Ela é muito inteligente, mas não acho que este seja um dom exclusivo que veio com ela. Ele é fruto do avanço de nossos tempos e da soma das vidas dos seus antepassados e das personalidades de seus avós, pais, e coleguinhas de escola. Exposta à realidade do mundo moderno, que nos invade audição, olfato e paladar todos os dias, todas as horas, ela chegou em casa exercitando a palavra nova que tinha ouvido em algum lugar, provavelm...

120 ANOS DE LUTA POR IGUALDADE RACIAL

No último dia 13 de maio de 2008 tive o prazer de me apresentar em show na Modern Sound no Rio de Janeiro e lá receber das mãos do Ex Sr. Vereador Eliomar Coelho a Medalha Pedro Ernesto. Algumas coisas que venho fazendo ao longo do tempo na área da música (como músico, compositor, cantor e produtor) e avalizaram para tal homenagem que me deixou bem feliz. A noite foi muito boa,s com a presença dos meus amigos, parentes e público em geral que foi lá nos assistir. A mim, meu filho Gabriel Versiani, meus parceiros Luiz Carlos da Vila e Mauro Diniz e meu irmão de fé Humberto Araújo. Aproveito este post para agradecer as inúmeras mensagens que recebi por e-mail me parabenizando pela comenda. Estamos juntos. Antes de ir para Copacabana me tornar Comendador dei uma olhadinha na internet para saber quem era esse tal de Pedro Ernesto que dá nome a minha medalha. Ele foi um médico e primeiro prefeito da cidade do Rio de janeiro eleito de forma indireta, mas o que realmente m...

O amor é simplesmente o ridículo da vida

Foto: Walter Firmo A minha irmandade com Luiz Carlos da Vila é realmente uma coisa que volta e meia provoca em nós emoções, gargalhadas e prazeres absurdamente generosos. Já começa com um lance muito doido que é o fato da gente não se lembrar como se conheceu. A primeira vez que eu soube dele foi numa entrevista que ele deu ao Jornal do Brasil. Puxa! Deu s audades agora do Jornal do Brasil da época em que ele é que formava opinião cultural, quer dizer, ele também. O Rio agora só tem um jornal com esse poder e aí perdem os artistas e perde o público que não têm linhas editoriais diversificadas a sua disposição. Mas aí, lendo a entrevista do Luiz, me amarrei e pensei: preciso conhecer esse cara. Não sabemos onde isso começou, mas a lembrança dele na minha casa, desde o tempo do primeiro casamento, e olha que já se foram quatro, é muito forte. Já estivemos juntos em várias paradas que já renderam parceiras em vários sambas e tive o prazer de acabar virando produtor de alguns disco...