29/05/2008

CARACA!

As crianças de hoje em dia estão cada vez mais chegando com as respostas para problemas que tentamos resolver há muito tempo. Elas, de alguma forma, parece que ficaram de camarote assistindo a gente se ferrar por aqui pra elas nascerem com as soluções para as nossas questões: ''É assim que se faz pai!". É muito comum hoje a gente ver as crianças falando em tom de bronca com os mais velhos.
Foi o que aconteceu outro dia com a filha do meu amigo Hugo. Ela é um belo exemplar - não só por ser uma gracinha - de como isso que estou falando é verdade. Ela é muito inteligente, mas não acho que este seja um dom exclusivo que veio com ela. Ele é fruto do avanço de nossos tempos e da soma das vidas dos seus antepassados e das personalidades de seus avós, pais, e coleguinhas de escola.
Exposta à realidade do mundo moderno, que nos invade audição, olfato e paladar todos os dias, todas as horas, ela chegou em casa exercitando a palavra nova que tinha ouvido em algum lugar, provavelmente em casa ou na casa de uma amiguinha, ou andando pelo shopping. Enfim, de algum canto alguém soltou a palavra que ela assimilou e repetiu para o pai.
Imediatamente o Hugo, pai zeloso, explicou com todo tato, psicologia e carinho que "caralho" era palavrão. Naquele clima ameno, sem criar pânico para não gerar traumas, Hugo ouve a primeira indagação de Luiza: o que é palavrão, papai?
Veio então aquela explicação clássica, que só vale para as crianças menores, porque quando fazem onze, doze anos já falam palavrão pra caralho, não é mesmo?
Palavrão é toda palavra grosseira, bruta, que as pessoas educadas não falam, principalmente as crianças. São palavras que gente até pode usar baixinho, pra nós mesmos, quando queremos desabafar alguma chateação ou quando batemos com o dedo mindinho no pé da cama, por exemplo. Ele argumentou, inclusive, que muitas das vezes outras palavras substituem um palavrão.
A filha, bem atenta à explicação do pai, mandou outra pergunta:
- Caraca pode?

- Vá lá, não é bonito mas pode.
Foi então que veio o torpedo:
- Então quer dizer que "lho" é palavrão?

Sem palavras...

2 comentários:

Jos e Guilherme Portugal disse...

Oi Claudio,
Ainda bem que ela não vive aqui no norte do Portugal.Foram as primeiras palavras que aprendi,quando veio viver pra Portugal há 25 anos.
Abraço, Jos e Guilherme

CidadãoEu disse...

Cláudio, em primeiro lugar queria agradecer pela sua visita em meu blog. Fiquei muito feliz, obrigado.

Bem, sobre as crianças, rs, sei que cada pai tem suas histórias para contar, mas vou dar um exemplo do meu filho, não para exaltá-lo, mas para mostrar que realmente você tem razão.

Meu filho, Bento Luiz, tem um ano e quase quatro meses. Hoje cedo o peguei para levá-lo à escolinha e, como de costume ela já estava com o violãozinho de plástico nas mãos. Basta eu chegar para ele abrir o sorriso e começar a simular que está tocando, com as mãos na posição certinha e com um gingado de Elvis Presley que me impressiona, rs.

Então ele toca e espera eu tirar uma foto com o celular ou a câmera. Quando eu tira a máquina da frente do rosto ele já corre para ver sua imagem.

Ai ele lembra que vai sair, pega a chave do carro e aperta o botão que destrava as portas. Como eu tenho que botá-lo no carro, ele abre o portão e senta na calçada me esperando até que guarde sua mochilinha e o chame. Então ele entra no carro, pede a chave novamente, tenta botá-la no contato, liga o rádio, balança o câmbio, tenta girar o volante e quer abrir o vidro.

Tudo isso ele faz sistematicamente, como se o carro não fosse andar sem completar o ciclo.

Só tenho esse filho, por enquanto, e não tenho convivência com outras crianças, então não sei se tudo isso é normal.

Mas tenho certeza de que há 5, 10 anos, as crianças não faziam isso, não tinham essas iniciativas e sacadas.

Assustador? Talvez. Interessante? Sem dúvida. Mas com certeza é apaixonante, pois vemos o "aluno" superando o "mestre" e esperamos disso um futuro melhor pois tudo o que queremos para nossos "aluninhos" é que eles nos superem em tudo e façam de suas vidas algo muito melhor que a nossa, independente de como a nossa foi.

É isso.

Sucesso aos nossos pequenos e saúde para nós, pois precisaremos para sustentar os alicerces do que julgamos serem os bons costumes e uma boa educação.

Abraços
CidadãoEu