30/07/2008

Imagens lusófonas

Mais uma vez Martinho da Vila me proporciona momentos de prazer em terras lusitanas. Dessa vez ele me levou para jantar na casa do pintor Roberto Chichorro.

Eu já o conhecia formalmente de outros camarins em shows no Coliseu de Lisboa, mas sem conhecer o seu papo e a suas tintas.

Nosso encontro em sua casa foi uma deliciosa surpresa visual, auditiva e palatável, graças também à comida moçambicana por ele preparada para nós. Um lance meio vatapá, com direito a pimenta da boa e um vinho tinto português supremo.

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Na chegada, o visual do pôr do Sol às oito da noite visto de sua janela em Cascais já entregava a intimidade de Chichorro com as cores da vida. Só que no caminho da entrada até o pôr do Sol, parecia que estávamos percorrendo numa exposição de arte. Pinturas dele e de amigos nas paredes. Peças em cerâmica que ele diz só fazer por hobby, tudo com aquela força e beleza de arte africana com cara de modernidade, “sem aquela onda naïf”, como me disse uma vez o Lenine se referindo à música de Richard Bona.

Fiquei emocionado com os quadros, com o privilégio de visitar seu atelier, com a noite que passamos conversando sobre tudo, inclusive informando a ele que no Rio de Janeiro tem uma Rua do Chichorro. Rua ilustre no bairro do Catumbi - onde também morou o Mestre Pixinguinha no número 84 - e também citada por Nei Lopes no samba “A neta de Madame Roquefort”.

No final da noite Chichorro nos presenteou com o livro “Mestiçagem do olhar”, uma publicação onde está enfocada um pouco da sua obra. A pintura deste moçambicano toca no fundo da alma de qualquer um, mas daqueles que têm sua origem na África e em Portugal é um bálsamo, é quase como uma organização de emoções, idéias e sentimentos.

Sou bastante identificado com seus principais temas - a música, o violão e as mulheres - e não resisti a fotografar algumas páginas deste livro e aqui reproduzi-las. Mas o bom mesmo é visitar o site do pintor em http://www.chichorro.com

Delicie-se.







Fotos: Cláudio Jorge

4 comentários:

Tuninho Galante disse...

Lindo post, Claudio Jorge.
Excelente a visão de olharmos a partir do Brasil para dois importante formadores de nossa história: Portugal e África.
Grande sacada e que belo trabalho o do Chichorro.

Cláudio Jorge disse...

Maravilha Galante. Obrigado pelo comentário e pela presença. Nos vemos na minha volta pro Brasil. Um abraço.

José Augusto Valente disse...

Cara, isso é que é vida!

E vc ainda ganha salário para trabalhar??? :)

Um grande abraço cheio de inveja...

Cláudio Jorge disse...

Fala Valente, fica com inveja não (rsrs). Os sacrifícios para quem viaja são muitos. Sabes lá o que é você ser obrigado a tomar vinho nacional na França ou em Portugal? (rsrs). Realmente não é fácil. Beijos.