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O bairro do Cachambi

Praça Orlando Silva no Cachambi Essa crônica foi publicada na edição de ontem, 23 de fevereiro,  do Jornal O Povo. Hoje eu tive tempo para dar um incrementada e publicar aqui no blog. Outro dia, num desses tempos que eu fico em frente ao computador, recebi um email onde estavam relacionados vários bairros cariocas e suas histórias. Fiquei chateado porque na lista não constava o Cachambi, bairro onde eu fui criado e morei até os vinte e oito anos de idade. Aí saí viajando pela internet procurando informações sobre o bairro e encontrei uma pesquisa de estudantes de urbanismo da PUC baseada no bairro do Cachambi. Fiquei todo vaidoso, porque lá fiquei sabendo que, de acordo com o censo de 2033, não sei como está agora, o Cachambi era um bairro com uma população predominantemente jovem, com maioria feminina, com baixo índice de mortalidade infantil, mas com uma alta longevidade em relação à cidade, com uma média de 69 a 72 anos. Fiquei sabendo através dessa pesquisa que a ...

Sorri pra mim, Ovídio Brito

Salve simpatia. Estou inaugurando um canal de vídeos no youtube. http://www.youtube.com/user/Claudiojorgevideos O primeiro vídeo é uma homenagem do Bloco Sorri pra mim a Ovídio Brito. Não tem jeito, é a vida que segue. Dá uma olhada nos meus favoritos também. Beijos. SORRI PRA MIM, OVÍDIO BRITO (Marcelinho Moreira e Cláudio Jorge) No cutuvelo é que se sente a dor Quando se perde um grande amor Mas se o caso é de amizade Ovídio Brito vai nos deixar saudade Chora cuíca Teu tamborim sorri pra mim na marcação É o grito do Vovô de norte a sul Dona tristeza vai te tomar no cutuvelo

E lá vamos nós mais uma vez. Dessa vez, Guilherme Reis.

Uma jornalista comentou comigo outro dia que costuma ler minhas crônicas emocionadas no meu blog cada vez que um amigo meu parte para o andar de cima. Fiquei grilado com isso, afinal, não foi para lamentar a partida de meus amigos que eu criei um blog. Então neste dia resolvi que nunca mais escreveria quando um amigo meu morresse. Putz! Mas quem morreu foi o Guilherme e aí não dá pra não falar nada porque ele tem tudo haver com os outros que partiram antes – Paulinho Albuquerque, Luiz Carlos da Vila e Ovídio Brito. Meu orientador espiritual também me aconselhou a me desapegar dessa minha inconformação com morte. Acatei o conselho e dessa vez o tom não vai ser de inconformação. Será só tristeza, mas como o Guilherme era um cara de uma alegria confortadora, a alegria também estará presente neste meu lamento. Situar o Guilherme Reis no plano profissional é fácil. Ele foi o melhor técnico de mixagem que conheci e tive o prazer de trabalhar. Premiado, era um artista no que fazia, herdei...

FELIZ NATAL

Foto: Cláudio Jorge. Da série "O Cristo visto da janela lá de casa" Embora eu já não seja mais cristão, sempre me comove bastante essa época em que se comemora o nascimento de Jesus Cristo. Durante muitos anos eu tive a oportunidade de observar fatos, livros, músicas, filmes e muito bate papo de um modo geral, onde o assunto era o futuro do nosso planeta. Fico pensando que Deus talvez esteja muito decepcionado com a sua criação mais complexa, o ser humano. Eu sou uma pessoa bastante otimista, não no sentido de que devemos sempre pensar no melhor para que as coisas boas aconteçam, sou otimista por que eu acho a vida que me foi dada de presente ótima mesmo. Nada a reclamar, tudo agradecer, mesmo considerando os vários sufocos que já vivi, os que muitos amigos vivem e o sufoco do povo brasileiro de um modo geral. Sou otimista porque a vida é bela e única, até prova em contrário, e também porque, segundo a Bíblia, Jesus sacrificou sua vida para que nós todos fôssemos salvos e ...

Minha alma suburbana (Fotos: site Supervia)

As coisas no mundo de hoje do facebook e do twitter, acontecem rápido de mais, tão rápido que qualquer dia desses as coisas vão acontecer antes de acontecer. Tanta coisa já sucedeu neste mundo de meu Deus e só agora pude comentar para os meus dois leitores como eu vivi a comemoração do último Dia Nacional do Samba, que por questões táticas foi comemorado no dia 4 de dezembro, mas a data oficial é o dia 2. Nesta mesma data, em 1837, foi fundado o Imperial Colégio Pedro II, onde eu tive o prazer de estudar de 1963 a 1969, ali no Engenho Novo. Voltando para 2010, foi semana passada que rolou, e um dos eventos dessa festa é o Trem, do Samba, criado pelo compositor Marquinhos de Osvaldo Cruz. Dessa vez fui convidado para cantar no evento e foi junto com meu parceiro e amigo Mauro Diniz. Foi um dia incrível de muitas recordações, emoções e boemia vivida lá naquele reduto portelense. Eu, que optei por não ter mais carro, por conta da minha intensa vida boêmia e baixa conta bancári...

Uma foto, um rap, uma esperança

(Foto: Globo on line) Eu Só Quero É Ser Feliz (Composição: Julinho Rasta e Kátia) Eu só quero é ser feliz, Andar tranquilamente na favela onde eu nasci, é. E poder me orgulhar, E ter a consciência que o pobre tem seu lugar Minha cara autoridade, eu já não sei o que fazer, Com tanta violência eu sinto medo de viver. Pois moro na favela e sou muito desrespeitado, A tristeza e alegria aqui caminham lado a lado. Eu faço uma oração para uma santa protetora, Mas sou interrompido à tiros de metralhadora. Enquanto os ricos moram numa casa grande e bela, O pobre é humilhado, esculachado na favela. Já não aguento mais essa onda de violência, Só peço a autoridade um pouco mais de competência. Eu só quero é ser feliz, Andar tranquilamente na favela onde eu nasci, han. E poder me orgulhar, E ter a consciência que o pobre tem seu lugar. Diversão hoje em dia, não podemos nem pensar. Pois até lá nos bailes, eles vem nos humilhar. Fica lá na praça que era tudo tão normal, Agora virou moda...

Chora cuíca

E Deus nos leva mais um dos nossos, mas ele sabe o que faz. Segundo Wilson das Neves, Deus estava precisando do Ovídio Brito lá por cima. Mais uma separação que se junta a tantas outras e que irão fazer muita falta por aqui. Fiquei amigo do Ovídio lá no início de carreira quando eu tocava com João Nogueira e ele com Beth Carvalho, integrando a Fina Flor do Samba. Foi um amizade que percorreu todo esse tempo regada a muito trabalho juntos, tristezas, mas principalmente muita alegria, muita boemia. Ovídio Brito era várias pessoas. Nascido e criado na Favela do Pinto, atuou em todos os setores da vida musical no Brasil e no exterior. Um herói, no melhor sentido da palavra, que sempre encarou de frente as adversidades da vida, e não foram poucas, transformando os problemas em música e festa. Numa época em que não havia ONGs, nem o chamado “trabalho social”, Ovídio Brito levava os mais renomados artistas brasileiros para irem a sua festa de aniversário lá na Cidade Alta, no bar do qu...