30/01/2012


Não tem jeito. Eu também sou tiete do Chico

Meu ano de 2011, na maioria dos aspectos, terminou muito bem, mas o mico botafoguense no campeonato brasileiro foi dose e despertou em mim um certo pessimismo em relação ao ano seguinte.
Aí 2012 começa com o novo Big Brother, com direito a suspeita de estupro e outras baixarias mais; o maior canal de televisão do Brasil compra os direitos do festival de pancadaria travestido de “esporte formador de caráter”, o UFC; o mesmo canal abre finalmente os braços para o mercado fonográfico religioso,  a música de sucesso nas paradas fica martelando “ai se eu te pego” e três edifícios desmoronam no Centro do Rio de Janeiro causando vitimas.
Cheguei até a escrever uma crônica onde eu falava das minhas causas que eu considerava perdidas. Além do Botafogo, falava do direito autoral, da profissão e do mercado de música no Brasil, do racismo e por aí vai. Mas aí desisti de publicar. O pessimismo é um sentimento rejeitado por todos os níveis, desde o religioso, até o idealista, o psicanalista, o financeiro e etc.. Estava quase publicando a bad crônica no meu blog quando cheguei a conclusão  que o pessimismo só deve ser praticado em ato de solidão e quando você já estiver satisfeito, sai da toca para o mundo com aquele sorriso nos lábios praticando o positivismo nas suas relações sociais e de trabalho.
Neste processo, meu amigo Wilson das Neves me convida para assistir ao show do Chico Buarque onde ele é um dos destaques, e aí meu amigo, confirmei que ainda existem muitos motivos para continuarmos otimistas em relação a cultura brasileira neste momento em que tudo o que é nacional é colocado no fundo do quintal e o que é global ocupa o espaço da casa grande.
Quero deixar bem claro que estou aproveitando o show do Chico para me referir ao mundo dos grandes espetáculos, dos grandes eventos, dos grandes negócios na indústria da música. Estou me referindo as grandes produções apoiadas pelos grandes meios de comunicação e capazes de mobilizar o gosto popular na formação de platéias.
Porque no plano menos favorecido do acesso ao público, o exército de batalhadores é grande e de qualidade inestimável espalhado por todo o Brasil em plena atividade mas , na sombra.
O grande barato do imperdível show do Chico é a coerência artística que ele revela. Além das músicas do novo disco, alguns sucessos antigos terminam por compor um pequeno painel do universo de composição do Chico Buarque, onde lá estão contemplados vários ritmos brasileiros, harmonias e melodias cuidadosamente trabalhadas, além de uma literatura em forma de letra de música, espetacular. Além disso uma gritante demonstração do Chico que não tem a menor intenção de se acomodar no óbvio estético, e que não está nem aí para as exigências do mercado, feito um cara que conheço chamado Martinho da Vila.
O show do Chico é um recital, muito bem iluminado, belo cenário, sem grandes efeitos, sem bailarinos, sem fumaça no palco, onde o assunto principal é a música. Não que eu ache que todo grande show tem que ser assim, mas alguns shows poderiam ser assim, não custa nada. Percebe-se que todo o trabalho é muito bem planejado e ensaiado, levando-se em consideração os limites que o artista realmente tem no que se refere a sua presença no palco.
No final, o jeito tímido do Chico ocupa todo e espaço e termina por contagiar uma platéia de forma arrebatadora, que canta junto as músicas do disco novo, mesmo elas não tendo execução nas rádios.
O novo ano que se inicia está salvo. Espero que eu não tenha que esperar mais cinco anos pelo novo disco do Chico para curtir estes momentos que curto agora.
Quanto ao Botafogo, vamos ver como a Estrela Solitária  vai se comportar em 2012.




6 comentários:

Anônimo disse...

gostei muito do texto, e como negro gostei de ver sua posição crítica em relação ao racismo. Penso que sua conclusão de que devemos sair para o mundo buscando agir por ações positivas esteja correto, mas não acredito que a crítica deva permanecer em silêncio .. na realidade acho que ação positiva é a crítica bem construida e argumentada, que não desliza para personalismos e que não denota inferioridade .. a crítica bem fundamentada, sob o disfarce do humor, por exemplo, vale mais que mil textos de intelectuais .. a arte, como a música que tu fazes é um dos meios mais eficazes e criativos para levar a crítica à sociedade .. quanto ao seu botafogo, desista .. agora em relação à musica brasileira, fé em você, no chico, no mestre das Neves, e a essa multidão que faz a música brasileira ser a melhor do mundo !!! (ufanista, porém sincero) rs
abraço, Leandro.

Rafa Bittencourt disse...

Fala amigo,
Como diz Millor Fernandes: "Nascer estadista em país subdesenvolvido é como nascer com um tremendo talento de violinista numa tribo que só conhece a percussão."...Ser pessimista é quase um atestado de inteligência, ao menos o Botafogo vai humilhar alguém e nos dar alegrias no fim...rs! ( Hoje descobri mais um ato de atrocidade alvi negra: Um torneio em comemoração aos 80 anos de glórias do "Framengo", vulgo: Combinado das favelas, foi vencido por quem?, pelo Fogão, o troféu está lá em General Severiano....Resumindo: Só Chico Salva.

Anônimo disse...

Alo Claudio, é muito bom a gente ler coisas uteis. Me senti a vontade em tecer um comentário nesse seu espaço. Toda sua visão, está voltada para aquela coisa propria, natural do ser humano. O cotidiano, a sua visão do simples, e isso realmente, é o que deveria mover todas as coisas ao nosso redor. E o Mr Chico Buarque de Olanda na minha humilde opinião é o papa em tudo que cria e faz.Parabens pelo seu artigo, abraço de BH.

Cabral

Cláudio Jorge disse...

Valeu rapaziada, voltem sempre. Abraços

Nivaldo Duarte disse...

Grande Cláudio Jorge!!! Sou seu fã.

Cesar Augusto disse...

Cláudio Jorge é incrível!. Desde minha adolescência te admiro dos encartes dos Cds, mas só recentemente conheci seus discos próprios, um grande acontecimento recente da minha vida. Sou seu fã também.
Abração, Cesar