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Orgulho

Em outubro de 2010 escrevi uma crônica para o primeiro número do Jornal Abdias. Reproduzo aqui o texto em homenagem a este brasileiro que partiu para o Orum.   No auge do meu processo de consciência da negritude  me deparei uma época com o livro Quilombismo, de Abdias Nascimento. O universo que se abriu  a minha frente com aquela leitura, até hoje tem em mim um efeito maravilhoso. Um efeito que me faz permanentemente enxergar as sutilezas do racismo no Brasil e de como nós, afrodescendentes, temos que desenvolver habilidades especiais para lidar com isso no dia a dia. Além das barreiras impostas para um progresso social, além dos limites de acesso aos meios de produção, além da realidade excludente que não oferece vagas a negros em setores tradicionalmente ocupados por brancos, além de tudo que foi apontado no Quilombismo e em outras publicações, enfrentamos o problema do relacionamento com o outro branco, com o amigo branco que não percebe e não entende a dificuldade d...

De Dolores a Bolsonaro

Crônica do Programa Garimpo do próximo dia 5 de abril de 2011 Rádio Nacional 1130 KHZ – 21 horas. Reprise na sexta no mesmo horário Estes últimos dias meu espírito tem sido ocupado por uma artista brasileira da maior importância e que muitos talvez desconheçam. Os da antiga, os do tempo do mundo real, em que havia dor de cotovelo, que se cantavam dores e sofrimentos, devem se lembrar.  Os de hoje, os que não pesquisam sobre música popular, provavelmente não se lembram pois vivemos o tempo da alegria a fórceps, e ninguém quer mais ficar cantando em alto e bom som que perdeu um grande amor. Ultimamente as pessoas estão preferindo cantar alto e em som duvidoso apenas as alegrias da vida, como se fossemos seres feitos só da parte alegre do viver. Mas tudo bem, cada um sabe de si, e como diz Wilson da s Neves, “trata de ti”. Mas Dolores Duran, a quem eu ouvi muito em fita cassete na minha juventude, volta agora aos meus hábitos de ouvinte de música, e volta com tudo. Volt...

Finalmente começando o ano

                         Com Zé Paulo Becker, Rogério Caetano e Bebe no Boitatá Bom, enfim o carnaval acabou e eu engatei logo uma semana cheia de compromissos e não pude escrever antes o que estou escrevendo agora. Ao contrário dos que estão aliviados com o fim do carnaval, eu estou lamentoso. Eu nunca fui um folião, na melhor expressão da palavra, mas sempre gostei de festa, alegria e da trilha sonora que embala os carnavais do Rio de Janeiro, e nesse sentido, meu carnaval dura o ano inteiro. Este ano de 2011 conspirou, e quando fui ver, tive o carnaval mais intenso da minha vida, trabalhando e me divertindo. O carnaval agora começa uma semana antes e acaba uma semana depois. Na entrevista que o guitarrista Leonardo Amoedo me concedeu para o Programa Garimpo ele diz que o carnaval no Uruguai dura um mês. Um dia a gente chega lá. Meu carnaval começou no dia 2 de março, com a minha primeira atuação como músico no salão...

O bairro do Cachambi

Praça Orlando Silva no Cachambi Essa crônica foi publicada na edição de ontem, 23 de fevereiro,  do Jornal O Povo. Hoje eu tive tempo para dar um incrementada e publicar aqui no blog. Outro dia, num desses tempos que eu fico em frente ao computador, recebi um email onde estavam relacionados vários bairros cariocas e suas histórias. Fiquei chateado porque na lista não constava o Cachambi, bairro onde eu fui criado e morei até os vinte e oito anos de idade. Aí saí viajando pela internet procurando informações sobre o bairro e encontrei uma pesquisa de estudantes de urbanismo da PUC baseada no bairro do Cachambi. Fiquei todo vaidoso, porque lá fiquei sabendo que, de acordo com o censo de 2033, não sei como está agora, o Cachambi era um bairro com uma população predominantemente jovem, com maioria feminina, com baixo índice de mortalidade infantil, mas com uma alta longevidade em relação à cidade, com uma média de 69 a 72 anos. Fiquei sabendo através dessa pesquisa que a ...

Sorri pra mim, Ovídio Brito

Salve simpatia. Estou inaugurando um canal de vídeos no youtube. http://www.youtube.com/user/Claudiojorgevideos O primeiro vídeo é uma homenagem do Bloco Sorri pra mim a Ovídio Brito. Não tem jeito, é a vida que segue. Dá uma olhada nos meus favoritos também. Beijos. SORRI PRA MIM, OVÍDIO BRITO (Marcelinho Moreira e Cláudio Jorge) No cutuvelo é que se sente a dor Quando se perde um grande amor Mas se o caso é de amizade Ovídio Brito vai nos deixar saudade Chora cuíca Teu tamborim sorri pra mim na marcação É o grito do Vovô de norte a sul Dona tristeza vai te tomar no cutuvelo

E lá vamos nós mais uma vez. Dessa vez, Guilherme Reis.

Uma jornalista comentou comigo outro dia que costuma ler minhas crônicas emocionadas no meu blog cada vez que um amigo meu parte para o andar de cima. Fiquei grilado com isso, afinal, não foi para lamentar a partida de meus amigos que eu criei um blog. Então neste dia resolvi que nunca mais escreveria quando um amigo meu morresse. Putz! Mas quem morreu foi o Guilherme e aí não dá pra não falar nada porque ele tem tudo haver com os outros que partiram antes – Paulinho Albuquerque, Luiz Carlos da Vila e Ovídio Brito. Meu orientador espiritual também me aconselhou a me desapegar dessa minha inconformação com morte. Acatei o conselho e dessa vez o tom não vai ser de inconformação. Será só tristeza, mas como o Guilherme era um cara de uma alegria confortadora, a alegria também estará presente neste meu lamento. Situar o Guilherme Reis no plano profissional é fácil. Ele foi o melhor técnico de mixagem que conheci e tive o prazer de trabalhar. Premiado, era um artista no que fazia, herdei...

FELIZ NATAL

Foto: Cláudio Jorge. Da série "O Cristo visto da janela lá de casa" Embora eu já não seja mais cristão, sempre me comove bastante essa época em que se comemora o nascimento de Jesus Cristo. Durante muitos anos eu tive a oportunidade de observar fatos, livros, músicas, filmes e muito bate papo de um modo geral, onde o assunto era o futuro do nosso planeta. Fico pensando que Deus talvez esteja muito decepcionado com a sua criação mais complexa, o ser humano. Eu sou uma pessoa bastante otimista, não no sentido de que devemos sempre pensar no melhor para que as coisas boas aconteçam, sou otimista por que eu acho a vida que me foi dada de presente ótima mesmo. Nada a reclamar, tudo agradecer, mesmo considerando os vários sufocos que já vivi, os que muitos amigos vivem e o sufoco do povo brasileiro de um modo geral. Sou otimista porque a vida é bela e única, até prova em contrário, e também porque, segundo a Bíblia, Jesus sacrificou sua vida para que nós todos fôssemos salvos e ...