24/10/2014

Reflexões da reta final






Em primeiro lugar não sou PT, não sou filiado a nenhum partido. Acho que nenhum dos  partidos brasileiros representam as minhas  expectativas  de cidadania, mas sou um  admirador de Brizola, Darcy Ribeiro, Lula e agora Dilma.
Além da minha concordância com o programa do PT para os governos Lula/Dilma, não posso deixar de me sensibilizar  com o fato de que os Presidentes petistas e seus colaboradores não fraquejaram com a idéia de migrarem do conforto da oposição para a situação, onde nunca tinham estado antes. Quando o PT passou a ser governo, não fugiu a responsabilidade de honrar o voto da população, não no sentido moralista da palavra, mas no sentido de que para governar tiveram que sentar à mesa com todo tipo de gente, políticos e partidos. Tiveram que conviver com corruptos, com a direita, com os fisiologistas, com os oportunistas e etc. Tiveram que negociar com todos os agentes que compõe a cena política brasileira. Sinto muito. Infelizmente a política na democracia é assim. Fora isso só nas ditaduras.
Alguns se deixaram levar pela sedução da desonestidade, outros não, mas, de qualquer forma, todos os que empunharam a bandeira do partido foram arrolados na onda do "fazer justiça com as próprias mídias", antes de qualquer julgamento ou condenação.
Estar na oposição é a coisa mais confortável do mundo, afinal, quem se opõe não sofre julgamentos, só na hora das disputas. Para quem está na  situação, não. É paulada de todos os lados com direito a  fogo amigo, inclusive.

Quando publico essa crônica ainda não sabemos o resultado do segundo turno, espero que Dilma saia vitoriosa, por vários motivos além dos referentes ao seu governo.
Um deles, que é sempre bom lembrar, é que vivemos a partir de 1964 um período de vinte anos sob uma terrível ditadura, e os estragos foram enormes. Acho que precisaremos de pelo menos trinta anos de eleições diretas para  voltarmos pro caminho dos trilhos. Muito do que vivemos hoje em matéria de monopólio da comunicação e truculência policial militar é fruto deste período sombrio.
Ter na história do Brasil um roteiro de filme onde uma mulher torturada no passado se transforma na Presidenta de hoje, é no mínimo motivo para sentir orgulho de pertencer ao  povo brasileiro que, através do voto, vem fazendo a correção do rumo de nossa história.

Enquanto escrevo vejo no face que a Veja está guardando uma " bomba" para as vésperas do dia 26. Não vai explodir, ou vai explodir no colo, como aconteceu no Rio Centro. A população já aprendeu como funciona esse jogo, mas de qualquer forma, atenção redobrada. Os ventos estão favoráveis, mas o jogo só acaba quando termina e podemos estar certos que quando terminar a eleição, tomara que  com a vitória da Dilma, no dia seguinte as críticas ao governo recomeçarão, mais do que nunca. A nossa luta continuará, mais uma vez, pois a tentativa de desestabilizar o regime será a nova trincheira dos, se Deus quiser, derrotados.


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