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Jorginho do Pandeiro

Mais um dia difícil neste inverno ensolarado de dia e friorento a noite. Faleceu Jorginho do Pandeiro. Nosso amigo, nosso colega, membro de uma família de grandes  músicos, dono de um humor super agradável, uma pessoa que vai fazer muita falta ao Rio de Janeiro. Estou triste por ele, pelo Celsinho, por nossa classe. Jorginho foi da  Época de Ouro da música brasileira,  um criador de estilo que colocou o pandeiro carioca nos palcos mais classudos do mundo.  Me lembro o carinho com que ele me ligou anos atrás me convidando para participar do seu programa na Rádio Nacional junto com o seu grupo. Ouvir a voz dele no telefone me deu a sensaçāo de estar sendo convidado por toda uma história de musica que ele representa. Tenho certeza que todos os que conviveram com ele têm  essa mesma sensaçāo. Cristiano Menezes estava lá no dia da apresentaçāo e é inevitável nāo imaginar o encontro dois amigos no céu hoje. Daqui pra frente toda vez que um pandeiro tocar, as plat...

Caríssimo amigo e parceiro Aldir Blanc.

  Te escrevo pra relatar o delicioso sonho que tive nessa madrugada de noite de Sāo João. Em tempo: tenho muitas saudades das noites de junho lá na casa de minha Tia Ita em Nilópolis.   Eu, meu irmão, minha māe, meu pai, avô, avó e tia, todos no ônibus saindo do Cachambi com os comes e bebes, a vitrola portátil com os discos em 78 rotações com musicas juninas do Lamartine Babo. Chegando na estação do trem meu pai ainda agregava estrelinha, estalinho, busca-pé, morteiros  e balāo japonês comprados na loja de fogos. Aí pegávamos outro ônibus e íamos para o interior, na casa de minha tia perto de um rio onde eu mergulhava com meus primos no verāo. Putz! Passado tanto tempo, e do jeito que as coisas estão,   nāo acredito que eu tenha vivido isso. Voltando a vaca fria, como em todo sonho eu estava num lugar que nāo sei te dizer direito qual era. Parecia um playground de edifício no Méier, ou estacionamento de shopping , ou garagem de casa de subúrbio, nāo sei, só ...

DIA INTERNACIONAL DA MINHA MULHER RENATA AHRENDS

Hoje, numa atitude totalmente “machista”, não irei comemorar o Dia Internacional da Mulher, mas sim o Dia Internacional da Minha Mulher, com todas as contradições, direitos e preconceitos que a expressão “minha” possa ter. Como disse Toninho Geraes de forma tāo original na voz do Martinho da Vila, “já tive mulheres de todas as cores, de várias idades, de muitos amores”, mas o meu último e definitivo casamento realmente me faz muito feliz. Felicidade é uma palavra altamente comprometida no Brasil e no mundo de hoje, mas com o olhar certo e uma pequena dose de alienação, a gente consegue enxergá-la, plena, vibrante, reluzente, como pepita de ouro quando aparece brilhando no balaio do garimpeiro. Minha pepita mulher, Renata Ahrends, foi escolhida pelos Orixás para que ela me escolhesse como namorado. A mulher é sempre quem escolhe. De namorado, viramos marido e mulher, viramos amigos, viramos cúmplices, e como escrevi no samba, “hoje somos dois e quase sempre somos um”. A...

DIA INTERNACIONAL DO MEU FILHO GABRIEL VERSIANI

Hoje nāo falarei do Dia Internacional da Mulher porque hoje é o Dia Internacional do Meu Filho Gabriel Versiani.  Presente dos deuses ele ter nascido nesta data simbólica. Meu filho único, depositário de todas as esperanças de eternidade da māe e do pai,   escolheu seguir nossos passos dentro deste universo que é a música.  Quando eu escolhi este caminho, já nāo era fácil, agora está muito pior. Entāo meu filho é meu herói, porque escolheu enfrentar os moinhos que o mundo inventou, desde os tempos de Don Quixote, do mesmo jeito que eu. Meu filho nāo me deixa esquecer o jovem que fui um dia e acho que minha vida deve ajudá-lo a escolher os caminhos por onde quer ou nāo quer passar. Filhos e pais sāo aquelas pessoas que, normalmente, salvo duríssimas exceções, gozam da maior intimidade, mas nenhuma das partes tem uma noção completa do que realmente rola em seus universos particulares, desde pequenos no jardim de infância até a fase adulta nas Lapas e manifest...