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DIA DA CRIAÇĀO

Em 1980, no finalzinho da ditadura, gravei meu primeiro disco pela gravadora EMI-ODEON. Uma das faixas você ouve aqui “Dia da Criaçāo”. Ela foi composta em pleno regime militar, no tempo da censura. Me lembro da emoção que tive em Recife quando do lançamento do disco por lá. Saindo para um mergulho de domingo numa Boa Viagem lotada, ouvi num táxi com a porta aberta parado na porta do hotel, o som da minha canção tocando no rádio em alto volume. Estávamos em tempos de “aber tura” e cinco anos depois assistiríamos o fim daqueles tristes tempos. Hoje, em 2016, vivendo os primeiros dias do governo interino de Temer, e sabendo de seus primeiros atos extinguindo os Ministérios da Cultura e o Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos me lembro dessa canção que eu achava ser “datada”, e portanto, sem nenhum significado ou função quarenta anos depois. Ledo engano. Eis que minha inspiração de juventude ressurge das cinzas e traz junto a clareza de que os ideais da m...

Nota de esclarecimento 2

Algumas coisas que amigos do Facebook, oposicionistas aos governos Lula e Dilma, falam aqui me deixam realmente triste. Noto que as pessoas repetem jargões sem a menor reflexão sobre o que estão dizendo.  Por exemplo, a respeito do que o Lula falou sobre “Nós contra eles”. Precisa desenhar que ele se referiu a “nós” como sendo Lula, Dilma, e o PT e “eles” como sendo PSDB, Moro, e rede a Globo de televisão? Isso  dito  no momento em que ele foi sacaneado pelo Moro para o mundo, atingindo parcialmente seu objetivo que era a humilhação de uma prisão do Ex-Presidente, tipo um troféu feito a cabeça do Lampião ou do Tiradentes.  Deu errado para  os  “ eles ”, pros “nós”, deu certo porque fez com que uma enorme parcela da população que não tinha ainda dado as caras nas ruas passassem a fazê-lo, com festa, típico das manifestações em prol da democracia.  Em nenhum momento Lula disse “nós o povo a favor de Dilma contra o povo a favor o  ip...

VALEU TRAMBIQUE!!!

José Belmiro Lima, Mestre Trambique, faz parte de uma geração do bairro de   Vila Isabel que viu muita coisa boa acontecer, outras nem tanto. Morador das antigas do Morro dos Macacos tornou-se músico profissional como tantos que vieram daquelas bandas, e ao lado de seu parceiro Paulinho da Aba viveu muitas histórias que serviram para boas risadas de quem teve o privilégio de ouvi-las, contadas por ele ou pelo Paulinho. Eram amigos desde cedo e a grande diversão era um sacanear o outro. Quando as coisas apertavam, e isso aconteceu muitas vezes ao longo de suas vidas, sempre davam um jeito. Trambique montava uma barraca de frutas na diagonal oposta ao Varandāo, bar na Teodoro da Silva esquina com Mendes Tavares, e o Paulinho colocava lá as pipas que fazia para vender. Paulinho coloca uva na cerveja, pra dar pressão, segundo ele e o Trambique ficava reclamando dizendo a uva dele iria acabar. Falar do Trambique é lembrar que ele foi o fundador da Herdeiros da Vila Isabel, pr...

CONTRASTES. Um olhar sobre Ismael Silva. Por Cláudio Jorge - 17/02/2016

Ismael Silva, Caetano Veloso e Cláudio Jorge - 1975 Meu encontro com o cantor Augusto Martins numa noite de boemia na Lapa, Rio de Janeiro, mas precisamente no Carioca da Gema, uma casa botafoguense, me proporcionou um reencontro com os meus primeiros passos como músico profissional. Ali, entre uma taça de vinho e outra, alguém puxou um samba do Ismael Silva. Nos olhamos, nos falamos, nos entendemos e resolvemos fazer um disco em homenagem ao Mestre. Mas esse texto não é para falar do disco “Ismael Silva, uma Escola de Samba”, que graças aos Orixás está sendo muito bem recebido pela crítica e amantes da música. Esse texto na realidade é para falar do Ismael Silva. Do processo da ideia do disco até ao seu lançamento e primeiras entrevistas concedidas por nós, muitas reflexões me vieram sobre esse personagem. Não só o lance da sua genialidade como compositor, ou da sua sacada junto com seus amigos do bairro Estácio na criação da Deixa Falar, considerada a p...

O violāo do Cláudio Jorge

Deixo de lado a modéstia para tirar onda aqui no blog com as palavras do violonista de 7 cordas, produtor e arranjador Luís Filipe de Lima. Ô sorte!!! “ Cláudio Jorge  é o cara que inventou a maneira de tocar violão no samba moderno. O cara que soube criar, desenvolver e encaixar levadas de samba também no meio de formações instrumentais mais pesadas, com baixo, bateria, teclado, sopros, sete-cordas, cavaquinho e toneladas de percussão, como passou a acontecer depois da década de 70. Seu violão é o mais classudo que conheço, cheio de energia, criativo, suingado até a alma, sem qualquer floreio desnecessário, que se destaca justamente porque joga para o time, o tempo todo. Isso só no capítulo das levadas, porque Cláudio Jorge é ainda um dos improvisadores mais eloquentes do samba, herdeiro e mestre da escola brasileira de guitarra que tem Zé Menezes, Heraldo do Monte, Hélio Capucci, Neco e Zé Carlos como outros nomes de ponta. Não é à toa que Cláudio já gravou com meio mundo, u...
Olá amigos das redes sociais. O tempo passou e já é tempo de repassar conhecimento Por isso, se você é violonista de seis cordas, amador ou profissional e gosta da nossa música, estou iniciando um curso de violão voltado para o desenvolvimento da mão direita em ritmos brasileiros. Este trabalho é o resultado do meu ofício como músico em estúdios de gravação ao longo dos últimos trinta anos atuando em centenas de discos de grandes artistas nacionais e internacionais, de Ismael Silva a Pretinho da Serrinha, passando por Renato Russo, Sérgio Mendes, Lisa Ono, Dionne Warwick e tantos outros. As aulas sāo presenciais e individuais, mas podemos experimentar via internet pra ver se dá certo. A idéia central é passar para a māo direita as nuances dos instrumentos da percussão brasileira nos ritmos do samba (em seus vários estilos), jongo, congada, frevo, maracatu, baiāo e etc. O material didático é composto das partituras das “levadas” (ritmos ou batidas) e o aluno pod...